sábado, 31 de janeiro de 2026

Rebento

Um bafejo ameno sussurra ao coração…

Depois de te haver abraçado

Este calor terreno,

Como nas planícies de solo lavrado,

Envolve o meu peito-semente,

Sempre.

Cultivo fecundo

Cujo brote plantado num barro fundo

Cresce para a luz da existência

Com uma felicidade delicada,

Banhando-se no sabor do sol da alvorada

E deliciosamente contempla a essência.

Sente assim o meu peito

Esta nova felicidade.

E encontra toda esta vida

Nos teus olhos verdes

Que são uvas maduras,

Suspensas numa vinha tão alta

Que se me torna difícil alcançar.

Tanto mais esta dificuldade

Me leva à loucura

Quanto o coração

Me rebenta de vontade.

Seja este alento

Como pólen lançado ao vento,

Para que se espalhe pelo universo

Poeira das palavras que te escrevo.

E por toda a parte

Assim seja compreendido:

Com um sorriso-lágrima aberto

Ao contemplar deste amor crescente,

Tanto mais envolvente e profundo

Quanto o solo lavrado

Que acolhe a pequena semente

Da maior árvore do mundo.

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